segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Jovens, carros e álcool. Assunto batido? E mesmo assim os acidentes continuam a acontecer.




Sem querer parecer pretensioso, parece que eu estava adivinhando quando escrevi o último texto. Hoje os jornais lembraram que faz um ano que aquele grupo de jovens morreu naquele acidente na Lagoa Rodrigo de Freitas, em que um carro foi transformado em um monte de ferros retorcidos.

Ontem, começando a falar da violência contra aquele pobre pit bull abandonado, mencionei outros tipos, como a praticada por jovens que não têm limites, nem respeito a qualquer forma de vida.

Muito bem. Pois a morte destes jovens, como a de outros tantos no trânsito, sem falar dos que ficam gravemente feridos, com graves seqüelas, paralíticos e etc, sem falar nas vítimas de outros veículos ou pedestres passivamente envolvidos nestes acidentes, está diretamente relacionada ao que comentei ontem.

Pensem. O que leva um jovem a praticar uma agressão contra quem não pode se defender ou qualquer outro crime é a sensação de superioridade em relação à vítima e a certeza da impunidade. Acho que isso pode se resumir em uma coisa: a sensação de PODER. “Eu posso fazer o que eu quiser, porque eu tenho força, tenho dinheiro, tenho um pai influente e nada vai me acontecer”. A própria juventude nos concede a sensação que somos poderosos, que nada nunca vai acontecer, que vamos viver para sempre. Os hormônios fervilhando nos fazem esquecer dos processos mais básicos da natureza. Então, salvo aqueles com uma base familiar bem sólida, com pais amigos, que entendem o que passa na cabeça de um jovem e conseguem entrar em sintonia com eles, que desde a infância souberam impor limites aos filhos por saber que dizer um NÃO na hora certa é uma demonstração de amor maior que ceder a todas as suas vontades, os jovens usam este poder de forma errada, inclusive conta si mesmos.

Poder... Que sensação maravilhosa a de ter um volante nas mãos e conduzir uma máquina que pesa algumas toneladas, com alguns movimentos leves! Não precisa ser um carrão que chega a 200 km/h. Um fusquinha 68 que ande, mal usado pode causar os mesmos estragos. Nossa! E se é o carro importado que vai de 0 a 100 em poucos segundos e chega a altas velocidades, aí o dito cujo se sente Deus! Uma maravilha para impressionar as gatas e os amigos, para “comer” quem ele quiser e se sentir o cara mais popular do grupo. Mas ele se esquece que aquela máquina maravilhosa é mais poderosa que ele e que, ao menor “vacilo”, ela mostra isso e ele fica à mercê dela. Ele se esquece que por mais que se ache “o fodão”, se beber, o álcool vai retirar reflexos dele, cuja perda vai aumentar a diferença de força entre eles. E o condutor da “MÁQUINA” se esquece que, se isso acontecer, ele pode perder seus admiradores e vai perder pra quem se exibir e, se tiver um mínimo de vergonha na cara, perder a vontade de se exibir. Ele também esquece que pode ser a última vez que se exibe ou então, o que vai passar a exibir é a sua “potente” cadeira de rodas para o resto da vida; que muitos amigos e gatas só estão perto quando estamos “numa boa” e que se ele sobreviver ao acidente, mas tiver seqüelas que a sociedade não gosta de ver e, por isso o desrespeito aos deficientes físicos demonstrado de todas as formas, inclusive pelo governo, que ele vai perder toda a sua “popularidade”. E, assim, vemos tantas vidas desperdiçadas, tantos inocentes vítimas da falta de responsabilidade alheia, começando com a dos pais em relação à educação dos filhos e destes quando ignoram os melhores cuidados daqueles. “Ah! Se o Edmundo pode atropelar, matar e aleijar e não acontece nada com ele, eu também posso”. E assim, segue a vida no país da JUSTIÇA PARA TODOS... Para todos, dependendo da conta bancária e do que fazem. Num país pobre, então, ela é para QUASE TODOS. Temos que admitir que eles estão certos.

Aos pais, com todo o respeito aos que já sofreram ou sofrem com a dor dos filhos que já sofreram acidentes:
Se vocês ainda têm seus filhos vivos, amem-os muito, mas não se esquecendo que educar é uma demonstração de amor e na educação, a palavra NÃO, naturalmente com seus PORQUÊS, para dar sentido a ela, é mais importante que todos os SIM, quando ditos nos momentos certos.

Aos jovens:
“É o seguinte: Se você se acha o “rei da cocada preta”, “o último biscoito do pacote”, “a cereja do sorvete”, porque só anda com roupa de marca, porque tem aquele relógio que chama a atenção à 1 km de distância, porque tem um tremendo carro ou usa o do papai, fique sabendo que você é o maior “otário”; o maior “mané”. Se você precisa disso para se destacar, para conquistar amigos e garotas; se você precisa pegar o carro e sair “voando” por aí, saiba que você “não está com nada”, pois o que tem que ter valor, é o que está dentro de nós; o que levamos no coração e na mente, pois estes valores nos acompanham onde quer que estejamos e para o resto da vida. Agora, se você tem seus bens materiais como justo resultado do trabalho dos seus pais ou seu, usufrua, mas com responsabilidade e sinta-se “o cara” por SER QUEM VOCÊ É e poderá fazê-lo pelo resto da vida.

Abraços a todos e minhas condolências aos familiares de todos que perderam seus filhos e outros parentes em acidentes.

Reginaldo Ribeiro.

Nenhum comentário: