
A imagem acima é triste? É chocante para alguns? Para mim também é. E esta é apenas uma das incontáveis situações com as quais quem tenta fazer alguma coisa em prol destes seres inocentes, cheios de amor para dar, se depara no seu dia-a-dia. Este manso Pit Bull de dois anos, foi mais uma vítima da covardia humana; tanto de quem o abandonou e o deixou indefeso amarrado neste poste, como a dos ainda mais covardes que agrediram um animal que não podia se defender. ELE ESTÁ NO CCZ DO GUARUJÁ E SERÁ MORTO SE NINGUÉM SE INTERESSAR POR ELE. SE ALGUÉM PUDER SALVÁ-LO, POR FAVOR, FAÇA CONTATO COM Paulo: (13) 8125-7926 ou Fernanda: (11) 8583-3073.
Este caso pode servir de exemplo para nos fazer refletir sobre muitas coisas. Uma delas é o que leva algumas pessoas a agredirem um ser indefeso. E quando falo de seres indefesos não é só de um animal que tem muito poucas condições de se defender diante de um homem e, no caso, com o agravante de estar amarrado. Se pararmos para pensar por uns poucos minutos, nos lembraremos de vários casos de covardias contra quem não podia se defender, algumas delas levando à morte ou tendo esta como objetivo.
Recentemente, aqui no Rio de Janeiro, uma empregada doméstica esperando um ônibus para voltar para casa foi brutalmente agredida por um grupo de jovens de classe média alta que a confundiram com uma prostituta. E se fosse, no caso, uma prostituta? Sem fazer questionamentos morais, as que já foram agredidas por eles, que tinham isso como hábito, não cometeram crime nenhum a não ser o de agredirem seus próprios corpos e dignidade pela necessidade de ganhar dinheiro devido a seus problemas pessoais, se não todos, na grande maioria causados pelo caos social não só do Brasil, como do mundo. Quando falamos do mendigo paulista, um caso recente, e do índio Galdino queimados; de outros tantos moradores de rua, seja adultos, jovens ou crianças, agredidos das mais diferentes formas, seja fisicamente, seja em sua dignidade pelo preconceito e falta de "humanidade" (palavra que questiono cada vez mais e que para ter o sentido que lhe costumam dar, preferia chamar de "caninidade", dada a cada vez mais difícil tarefa de encontramos pessoas com sentimentos humanitários, respeito e amor ao próximo); das agressões domésticas de maridos contra esposas e filhos, inclusive da violência sexual, que, quando praticada contra os filhos é ainda mais perversa pois se prevalece da ingenuidade infantil, da influência e intimidação paterna ou de outros parentes e, naturalmente, da própria diferença de força física, em todos esses casos, estamos falando de uma coisa comum: A VIOLÊNCIA E COVARDIA CONTRA QUEM NÃO PODE SE DEFENDER. Mas quais são suas motivações? O que leva a quem pratica estes atos a realizá-los?
Quando eu falo em motivações, falo de todas as nossas motivações, seja para fazer o bem, para fazer o mal e para as atitudes mais simples das nossas vidas. Não sou psicólogo e nem estudioso do assunto, mas como todos, tenho experiências e conhecimento de fatos. Este é um assunto para render e farei apenas alguns comentários aqui agora. Estes casos de violência que citei acima têm algumas coisas em comum. Uma delas pode ser a falta de amor que os agressores tiveram na infância e, assim, não recebendo amor, não aprenderam a amar; pode ser a falta da presença dos pais que, sem condições de educar devido às sua situação social e histórias de vida (que também se aplica à falta de capacidade de dar amor aos filhos) ou à falta de paciência ou vontade para educar, os deixa à mercê de más influências; a educação deturpada que os instiga à violência e a se prevalecer de algum tipo de vantagem ou superioridade que tenha para subjugar a outrem; a impunidade que nosso ultrapassado código penal propicia e que acaba servindo como um estímulo para quem já se enquadra em alguns dos casos acima, que também se traduz por uma estrutura social em que o que convencionamos chamar de JUSTIÇA, em geral, não se aplica aos detentores de dinheiro e poder.
No outro extremo, podemos pensar no que nos leva a fazer o bem; descobrir nossas verdadeiras razões e, assim, tentarmos nos aprimorar nesta prática e direcionarmos melhor nossos esforços e sua eficiência. Pensem: quando vocês fazem o bem, o fazem porque sentem-se bem consigo mesmos, com a consciência tranqüila, em paz com Deus, ou porque querem prestar socorro a quem precisa? Por exemplo, o caso do pobre pit bull acima é fruto de uma situação complexa que é a dos maus-tratos e abandono de animais. Surpreendentemente, então, a TV Globo anúncia uma reportagem sobre o assunto para a alegria dos que amam e lutam pelos animais. Para minha decepção e de outras pessoas, ela apenas trata o assunto superficialmente e não leva às pessoas informações que pudessem ser úteis para começar a minimizar este problema, como os benefícios da castração para os animais, http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=3174408&tid=2476793492265216733 , e que é a melhor forma de controlar a proliferação de animais indesejados e que, coseqüentemente, serão vítimas do abandono e maus-tratos; sobre o extermínio desses animais nos Centros de Controle de Zoonoses (CCZs), http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=3174408&tid=2456097481526645434 ; sobre a legislação que caracteriza o abandono e os maus-tratos como crime, por mais insuficientes que sejam as penas, http://www.orkut.com/CommEvent.aspx?cmm=3174408&crt=7842525&dat=1189305600 . Então, penso: Qual teria sido a real motivação da reportagem? Apenas a "bendita" luta pela audiência e a tentativa de passar a impressão que se preocupam com o problema, ou vontade de ajudar a estes inocentes e a quem luta por eles? Se foi esta, faltou muito para fazê-lo de forma mais produtiva.
Usei a referência do programa acima devido ao meu amor pelos animais e à frustração com ele. No entanto, podemos generalizar o meu questionamento sobre a real motivação dele para pensar também sobre nossas vidas e o que nos leva a cada atitude. As razões de mantermos uma relação afetiva, das amizades que cultivamos, da atividadade profissional que realizamos e a empresa onde trabalhamos, do local onde moramos, do nosso próprio despertar e o ato de nos levantarmos da cama. Se a motivação não for sincera, seja ela qual for, a luta pela felicidade será ainda mais dura e ela mais difícil de ser vivida, mesmo que em breves momentos, ou alcançada.
Abraços a todos e um bom início de semana,
Reginaldo Ribeiro.
2 comentários:
Concordo. Acredito que vivemos em um mundo onde a individualidade exacerbada se sobrepõe à capacidade de raciocínio e à solidariedade. Se não tivermos pensamento crítico a respeito daquilo que ouvimos e lemos, não poderemos nunca fazer real juízo das coisas.
Reginaldo!
Continue escrevendo e principalmente faça denúncia contra esses desumanos que maltratam os animais.
E escrevendo sobre seus sonhos.
Um bj
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